Sim. De acordo com uma pesquisa realizada e recentemente divulgada pelo Project for Excelence in Journalism, os temas que circulam entre os chamados filtros sociais de notícias (entre eles, o Digg, o Del.icio.us e o Reddit) diferem dos temas difundidos pelos media tradicionais americanos.

Embora tenha grandes restriçoes com relaçao ao método empregado, creio que é um dos primeiros estudos empíricos que se preocupam com o problema. De qualquer forma, nao creio que todos os temas devam circular necessariamente por estes filtros sociais. Se os usuários privilegiam determinados temas e esses diferem dos media tradicionais, como constata a pesquisa, que seja feita entao uma investigaçao para comparar a repercussao desses temas com a imprensa especializada, já que o tema tecnologia raramente entra na pauta dos media tradicionais, pelo menos nas chamadas de capa.

A agenda dos mass media nao podem ser pensadas de acordo com a mesma lógica dos usuários de filtros sociais. E, portanto, nao podem ser comparadas segundo o mesmo critério temático.

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Fiz uma versao em ingles do meu blog, mas que se concentra somente em questoes relacionadas à pesquisa, por duas razoes bem simples e óbvias: (1) as pesquisas sobre agenda-setting e weblogs sao objeto de grande atençao entre a comunidade acadêmica americana; e (2) consequentemente, é possível que uma versao em inglês aumente a visibilidade do meu trabalho.

Como uma pessoa apaixonada por métodos, nao poderia deixar de difundir a publicação do livro “Metodologia de Pesquisa em Jornalismo” (editora Vozes), organizado por Cláudia Lago e por Marcia Benetti Machado. Leitura obrigatória para professores e pesquisadores em Jornalismo. Uma pena que só terei acesso a ele no ano que vem, mas enfim, fica registrado.

Relação de capítulos e autores:

1. O newsmaking e o trabalho de campo (Alfredo Vizeu)

2. Antropologia e jornalismo: uma questão de método (Cláudia Lago)

3. Um modelo híbrido de pesquisa: a metodologia aplicada pelo GJOL (Elias Machado e Marcos Palacios)

4. Análise de conteúdo em jornalismo (Heloiza Herscovitz)

5. O SPSS e os estudos sobre os media e o jornalismo (Isabel Ferin Cunha)

6. A invenção do Outro na mídia semanal (José Luiz Aidar Prado e Sérgio Bairon)

7. Análise pragmática da narrativa jornalística (Luiz Gonzaga Motta)

8. Sociedade, esfera pública e agendamento (Luiz Martins da Silva)

9. Análise do Discurso em jornalismo: estudo de vozes e sentidos (Marcia Benetti)

10. História e jornalismo: reflexões sobre campos de pesquisa (Richard Romancini)

11. Vertentes da economia política da comunicação e do jornalismo (Sônia Serra)

12. Instantaneidade e memória na pesquisa sobre jornalismo online (Zélia Leal Adghirni e Francilaine de Moraes)

Enquanto nao consigo uma credencial para ter acesso à biblioteca da UNAV, meu supervisor, José Luis Orihuela, designou a mim a tarefa de pesquisar sítios que tenham a ver com minha pesquisa ou com pelo menos meu objeto de pesquisa, que sao os blogs.

Nao pretendo tratar aqui sobre temas gerais relacionados aos blogs e ao Jornalismo. Existem muitos sítios que já dao conta disso. A tarefa me parece um tanto mais difícil, já que sao pouquíssimos os lugares onde posso encontrar discussoes que proponham interfaces entre os efeitos dos meios de comunicaçao e os ciberambientes, e mais especificamente, a blogosfera. A maioria destas discussoes podem ser encontradas em periódicos advindos de bases de dados online, mas circunscritas a pesquisadores de universidades e que, de algum modo, se aproximam do meu objeto de pesquisa.

Orihuela me apresentou vários sítios e opçoes na internet para traçar percursos para minha investigaçao. Optei por inserir temas variados juntos em um só blog e separá-los por tags, com vistas a classificar e organizar os temas dos quais trato. 

No começo do doutorado, em 2006.1, a FACOM ofereceu uma disciplina muito interessante sobre media-effects, ministrada pelo professor Wilson Gomes. A disciplina contribuiu de modo significativo nao só para uma definiçao mais acurada do que seria meu objeto de pesquisa, como também para a atualizaçao do debate sobre métodos de investigaçao e conceitos relativos aos efeitos dos meios de comunicaçao. Além disso, como professora licenciada de Teorias da Comunicaçao e Teorias do Jornalismo, a disciplina me ajudou bastante a transitar de maneira mais segura por perspectivas teórico- metodológicas discutidas em sala de aula.

Em funçao da minha formaçao acadêmico-profissional, seria inevitável, entao, nao propor uma debate que unisse duas perspectivas distintas: os efeitos dos meios de comunicaçao e os ciberambientes e, mais especificamente, a blogosfera, objeto de atençao desde o mestrado, concluído no final de 2003.

Como se nao bastasse ter lido tantos artigos, ensaios e capítulos de livros sobre agenda-setting, optei por mais uma vez iniciar o percurso de meu Estágio Doutoral, revisando a literatura relacionada à essa hipótese. 

Encontrei ontem uma tese muito interessante, publicada em livro e digitalizada, que consegue, de maneira sistemática, compilar os principais pressupostos, conceitos e estudos empíricos relacionados ao agenda-setting. Os estudos clássicos só poderao ser revisados quando tiver acesso à fantástica biblioteca da UNAV e aos periódicos de sua base de dados online.

Mas por que revisar os conceitos? As perguntas de minha pesquisa se encontram bem definidas, creio eu, mas outras perguntas poderao ser acrescidas ou as anteriores reformuladas, à medida que tenho os conceitos mais sedimentados, podendo rearticulá-los mais facilmente.