Como nós lemos online

Artigo publicado na Slate Magazine, por

Veja o artigo original aqui.

Você provavelmente vai ler isso.

É um pequeno parágrafo localizado no topo da página. Está envolto por espaços em branco, com  pequenos caracteres.

Para realmente chamar a sua atenção, eu deveria escrever assim:

  • Texto em tópicos, do tipo lista
  • Uso do negrito de vez em quando, para evitar que se ignore parte do texto
  • Fragmentos em sentenças curtas
  • Intertítulos explicativos
  • Nada de cacofonias
  • Mencionei listas?

Do Que se Trata Este Artigo?
Desde o mês passado, tenho estado longe da tela do computador. Agora estou de volta à leitura durante muitas horas ao dia, o que me fez pensar: Como nós lemos online?

Está uma Zona Lá Fora

Essa é a teoria de Jakob Nielsen. Ele é expert em usabilidade e escreve na influente numa coluna quinzenal sobre temas como pesquisas baseadas nos movimentos dos olhos (eye-tracking), erros de Web design e cegueira do banner. (Links, por falar nisso, conferem maior autoridade a um texto, fazendo com que você se aproxime).

Nielsen é defensor da idéia de caça por informação. Seres humanos são caçadores. Buscamos fatos na Internet. Em tempos anteriores, quando navegar pelos websites consumia muito tempo, a tendência era permanecer em um lugar e tentar descobrir algo. Agora, acessamos um site rapidamente, “farejando informação“. Movemo-nos de onde parece não haver comida.

Perdoe-me pelo longo parágrafo (Estudos de eye-tracking mostram que leitores online tendem a pular longos blocos de texto.)

É provável que também eu esteja forçando você a mover o texto para baixo neste ponto, perdendo uma porcentagem incrível de leitores. Tchau! Divirta-se no Facebook.

Tela vs. Papel
O que dizer sobre o processo físico de leitura na tela? Como compará-lo ao papel?

Observando pesquisas prévias, é fascinante ver que, mesmo na época de monitores verdes-fosforescentes, os estudos indicam que não existe uma grande diferença entre ler na tela e ler no papel. O papel era claramente o campeão, quando pessoas que se submetiam aos experimentos eram convidadas a ler um texto.

Os estudos não são definitivos. Entretanto, considerando os fatores que afetam a leitura online, tais como mover o cursos, tamanho da fonte, conhecimento do usuário etc. Nielsen defende que a leitura na tela é  25% mais lenta do que no papel. Mesmo assim, estudiosos concordam que existem saídas que fazem com que a leitura na tela seja mais confortável:

  • Escolha uma fonte default desenhada para ser lida na tela; ex.: Verdana, Trebuchet, Georgia.
  • Descanse seus olhos por 10 minutos a cada 30 minutos.
  • Escolha um bom monitor. Não o configure muito brilhante nem o coloque muito próximo dos olhos.
  • Minimize os reflexos.
  • Pule parágrafos longos de texto, o que promove cansaço.
  • Evite o MySpace.

De Volta à Selva
Descrição certeira de Nielsen sobre o leitor online: “[U]suários são egoístas, preguiçosos e cruéis.Você, meu prezado usuário, colha a fruta que está mais próxima do chão. Quando você chega a uma página, não está designado a lê-la. Você passa o olho. Se você não vê o que necessita, você sai.

E não é você que tem que mudar. Sou eu, o escritor:

  • Uma idéia por parágrafo
  • Metade da soma de palavras da “escrita convencional”! (Uau!)
  • Outras coisas ao longo dessas linhas

Nielsen normalmente soa como um cruzamento entre E.B. White e o Terminator. Aqui vai sua dica em uma coluna intitulada “Long vs. Short Articles as Content Strategy” (Artigos Longos vs. Artigos Curtos como Estratégias de Conteúdo): “Um bom editor deve ser capaz de cortar 40 por cento da contagem de palavras enquanto remove 30 por cento do valor do texto. Além de tudo, os cortes devem atingir o mínimo de informação importante.”

[Nota do Editor: Incursões fascinantes sobre a voz do escritor, idiossincrasias e ego frágil foram cortados daqui.]

Ele Está Certo
Eu tiro onda com essas histórias sobre o Nielsen, mas ele é muito sensato. Somos participantes ativos na Web, buscando informação e diversão. É natural que as pessoas prefiram textos curtos. Como NIelsen afirma, leitores motivados que desejam saber tudo sobre um assunto (ex.: pais tentando colocar seu filho em uma pré-escola de Nova Iorque) vai ler tratados longos com ponto-e-vírgula, mas o resto de nós está fazendo uma boquinha. Seu conselho: Inclua o hipertexto. Mantenha as coisas organizadas para as massas, mas ofereça links para as Classes As.

Mas, Nada de Blogs
Nielsen pode ser cruel em relação à brevidade, mas ele não defende a prática de blog. Eis a sua lógica: “Tais escritas são boas para gerar controvérsias e tráfego a curto prazo, e são definitivamente fáceis de escrever. Mas eles não constróem um valor sustentável.”

Este é o ponto de debate. Minha experiência tem sido a de que um blogueiro sério que insere etiquetas em seus posts também é capaz de cobrir um tema. Mas a idéia de Nielsen é a de que as pessoas vão ler (e até mesmo pagar por) conhecimentos onde não poderão encontrar em outro lugar. Se você quiser vencer a Internet, você não conseguirá fazê-lo blogando (mesmo que pensadores razoáveis vez ou outra escrevam um post muito bom), mas sim oferecendo uma visão compreensiva sobre um tema (portanto, economizando o tempo de pesquisa do leitor) e fornecendo um pensamento original (com insights confiáveis que não podems ser facilmente replicáveis pelo não especialista).

Assim como muita coisa que Nielsen diz, isso é óbvio e sério.

Leitura Lúdica
Nielsen foca em como conseguir a atenção das pessoas para transmitir informação. Ele não está excessivamente preocupado com a leitura prazerosa.

Leitura prazerosa também é conhecida como “leitura lúdica.” Victor Nell estudou leitura prazerosa (PDF). Duas noções fascinantes:

  • Quando nós gostamos de um texto, nós o lemos mais devagar.
  • Quando estamos imersos em um texto, é como se estivéssemos em um transe sem esforço.

A leitura lúdica pode ser conseguida na Web, mas o ambiente trabalha contra você. Leia uma boa frase, seja interrompido por IM, e nunca volte à página novamente.

Eu suponho que leitores lúdicos seriam os pequenos bichos-preguiça se escondendo na floresta enquanto todo mundo está fora praticando vandalismo em busca de carne fresca.

Pensamento Final Desnecessário
Faremos muito mais do que ler em telas, mas elas não substituirão o papel – não importa o que seu amigo com um estimulante lhe diga. Ao invés disso, o papel parece ser o novo Prozac. Uma erva de cura para a mente distraída. É restrito, offline e táctil. William Powers escreve sobre isso em seu ensaio elegante “Hamlet’s BlackBerry: Why Paper Is Eternal.” (A Amora de Hamlet: Por que o Papel É Eterno). Ele descreve essa coisa branca como “um ponto tranquilo, uma âncora para a consciência.”

OK, você deve ir embora agora.